Duas pessoas operam o menisco na mesma semana. Uma sai do hospital pisando e, em poucas semanas, está de volta à rotina. A outra passa semanas de muletas, sem apoiar o pé. Não é que uma recuperação deu certo e a outra deu errado: provavelmente foram duas cirurgias diferentes.
Neste artigo, baseado em conteúdo de especialistas em reabilitação do joelho, explicamos a diferença entre tirar e costurar o menisco e o que isso muda na sua recuperação. Se você ainda está na dúvida se precisa operar, leia antes Lesão de Menisco: Quando Operar e Quando Não.
O que é o menisco?
O menisco é uma almofada em forma de meia-lua entre o osso da coxa (fêmur) e o osso da canela (tíbia). Cada joelho tem dois. Eles absorvem o impacto a cada passo e ajudam o joelho a ficar estável.
Quando o menisco rasga e a cirurgia é indicada, por exemplo quando o joelho trava, falseia ou não desincha, o cirurgião tem dois caminhos.
Caminho 1: meniscectomia (tirar a parte rasgada)
Por uma pequena câmera colocada no joelho (artroscopia), o médico retira só a parte rasgada do menisco e deixa o restante.
- Vantagem: recuperação rápida. Em geral, a pessoa já sai pisando, com muletas só por segurança nos primeiros dias.
- Desvantagem: perde-se uma parte do amortecedor. Com menos menisco, aumenta o risco de desgaste da cartilagem (artrose) com o passar dos anos.
Caminho 2: sutura (costurar o menisco)
Aqui o médico costura o rasgo para preservar o menisco inteiro. É mais comum em pessoas jovens e em rasgos na borda de fora do menisco, a região que tem mais circulação de sangue e, por isso, cicatriza melhor.
- Vantagem: preserva o amortecedor do joelho a longo prazo.
- Desvantagem: a costura precisa de tempo para fechar. A recuperação é mais lenta e exige respeitar limites de apoio e de dobra do joelho.
O cirurgião, conforme o tipo e o local do rasgo, a sua idade e a qualidade do tecido. Muitas vezes a decisão final só acontece durante a própria cirurgia. Pergunte depois qual técnica foi feita: isso muda todo o plano da fisioterapia.
A recuperação, lado a lado
| Tirar (meniscectomia) | Costurar (sutura) | |
|---|---|---|
| Apoiar o pé | Logo, com muletas por cerca de 10 dias | Cerca de 4 a 6 semanas sem apoiar |
| Dobrar o joelho | Movimento completo em cerca de 2 semanas | Até 90° nas primeiras semanas |
| Correr | Perto da 6ª semana | Perto da 10ª semana |
| Voltar ao esporte | 2 a 3 meses | 4 a 6 meses |
Esses prazos são referências. Há cirurgiões que liberam o apoio mais cedo na sutura, dependendo do tipo de rasgo. Quem define os seus prazos é a sua equipe.
Por que esperar para pisar na sutura?
A costura ainda está cicatrizando nas primeiras semanas. Pisar com o peso do corpo ou dobrar o joelho além do combinado força a costura e pode comprometer o resultado da cirurgia. Por isso, esperar não é atraso: faz parte do tratamento.
Cuidados que valem para as duas cirurgias
- Nada de rolinho embaixo do joelho. O travesseiro embaixo do joelho é confortável, mas faz o joelho perder a capacidade de esticar por completo, um problema difícil de reverter depois.
- Gelo nos primeiros dias, sempre com um pano protegendo a pele, para aliviar a dor e o inchaço.
- Ativar a coxa desde cedo. Depois da cirurgia, o músculo da frente da coxa (quadríceps) "desliga". Exercícios simples, orientados pelo fisioterapeuta, ajudam a acordá-lo.
- Respeitar o inchaço. Se o joelho incha muito depois de uma atividade, é sinal de que passou do ponto.
Febre, vermelhidão ou secreção nos cortes, inchaço que aumenta muito de um dia para o outro, dor forte e inchaço na batata da perna, ou o joelho voltar a travar. Esses sinais precisam de avaliação.
Resumindo
Tirar a parte rasgada do menisco permite uma recuperação mais rápida, mas o joelho perde parte do amortecedor. Costurar preserva o menisco, mas cobra semanas sem apoiar o pé e uma volta ao esporte mais lenta. Nos dois casos, a fisioterapia bem orientada é o que transforma a cirurgia em um joelho forte de novo.
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